sábado, 26 de outubro de 2013

71 anos de Milton nascimento



Em 26 de outubro de 1942, nascia na cidade do Rio de Janeiro, Milton Nascimento. Reconhecido mundialmente como um dos mais talentosos cantores e compositores da música popular brasileira, conhecido também como Bituca, seu carisma pessoal e gênio musical, encanta o público, com sua voz, considerada uma das maiores de todos os tempos e por suas canções maravilhosas!
Uma longa trajetória de sucesso, reconhecimento nacional e internacional e de premiações, marca a vida de Milton Nascimento que, através de suas canções e composições, de inestimável valor para o meio musical, registra fatos e acontecimentos ligados à sua vida, sua trajetória musical e o contexto histórico.
Filho biológico de Maria do Carmo Nascimento, uma empregada doméstica muito humilde, de quem o cantor usa o sobrenome, foi adotado pelo bancário Josino Brito Campos, que era dono de uma estação de rádio, e de Lilia Silva Campos, professora de música, uma das influências importantes em sua carreira musical. Aos dois anos de idade, Milton mudou-se com sua família adotiva para Três Pontas, em Minas Gerais, onde tocou pela primeira vez em um teclado de piano. Aos quatro anos ganhou seu primeiro instrumento de música, uma sanfoninha de dois baixos.
Vizinho e amigo de infância do pianista Wagner Tiso, foi em sua casa que aprendeu noções de piano com sua mãe, e aos treze anos, junto com o amigo, já cantava em bailes e festas da cidade. Aos quinze anos, Milton ganhou um violão e, na cozinha de sua casa, ao lado do fogão à lenha, era o local preferido em que Milton dedilhava o violão, deliciando-se entre as notas musicais, e que a inspiração musical aflorava. Foi por esta época também, que juntamente com o amigo Wagner Tiso, lançam o conjunto Luar da Prata, com o qual viajavam pelas estradas do interior em Minas Gerais, em uma Kombi velha, para apresentarem-se nos “bailes da vida”.
Foi em 1962, que a primeira de suas muitas criações, foi gravada, “Barulho de Trem”. Em 1963, mudou-se para Belo Horizonte onde cursou Economia. Nesta época, conheceu parceiros musicais como Fernando Brant, Lô Borges e Márcio Borges. Mesmo com o tempo escasso, Bituca trabalhava em escritório durante o dia, e cantava nas noites, em bares e clubes noturnos, que passou a compor mais amiúde, canções como Novena e Gira Girou (1964), em parceria com Márcio Borges.
Em 1965, Milton participou de festivais de MPB. No festival realizado pela TV Excelsior no estado de São Paulo, centro de concentração de cantores daquela época como Elis Regina, Gilberto Gil, Edu Lobo, Caetano Veloso, entre outros, Milton alcança o quarto lugar, interpretando Cidade Vazia, de composição de Baden Power.
Em 1966, Bituca destacou-se como cantor, e gravou um LP no Rio de Janeiro. Elis Regina gravou uma de suas composições, “Canção do Sal”. Em 1968, Milton começa sua carreira no mercado internacional e grava o disco “Courage”.
Em 1969, lançou o LP Milton Nascimento, incluindo no repertório “Beco do Mota”, “Sentinela” e “Quatro Luas”, em parceria com Fernando Brant. Na década de 70, Bituca realiza temporadas no Rio de Janeiro e São Paulo com o conjunto Som Imaginário. Grava “Milton”, incluindo as músicas “Clube da Esquina” (com Lô Borges e Márcio Borges), “Para Lennon e McCartney” (com Fernando Brant, Márcio Borges e Lô Borges) e “Canto Latino” (com Rui Guerra).
Na mesma época, em decorrência da ditadura militar e da repressão que avassalava o Brasil,  Milton teve algumas de suas músicas censuradas, tais como “Escravos de Jó”, “Hoje é dia de el Rei” e “Cadê”. Outro lançamento de grande peso viria em 1972. Milton lança o álbum duplo “Clube da Esquina”, consequência dos anos em que Bituca e seus amigos se encontravam nos barzinhos de Belo Horizonte, com Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Nivaldo Ornellas, Nelson Ângelo, Tavito entre outros. Em 1973, lançou “Milagre dos Peixes” ao vivo e realizou um show intitulado com o mesmo nome, no Teatro Municipal de São paulo e no Rio de Janeiro.
Ainda na década de 70, outros lançamentos aconteceriam no Brasil e no exterior. No final dos anos 70, composições como Maria, Maria (com Frenando Brant), destacaram-se enormemente no cenário musical. Destaque também para sua brilhante interpretação de Coração de Estudante (Wagner Tiso), que tornou-se o hino das Diretas Já, em 1984, e dos funerais de Tancredo Neves, em 1985.
Em 1980, grava o disco “Sentinela”, que trazia o grande sucesso “Canção da América”, que versa sobre a amizade, e seria depois identificada com os funerais de Ayrton Senn, em 1984. No ano seguinte, é a vez de “Caçador de Mim”, com os sucessos “Nos bailes da Vida” e “Caçador de Mim” alcançar grande destaque na mídia. No mesmo ano, composições e músicas de Milton fizeram parte da trilha sonora de filmes.
Integrando o grupo seleto de intérpretes da MPB, Milton viajou o país, apresentando O Grande Circo Místico para uma plateia de mais de 200 mil pessoas. Participou do coro de 155 vozes que cantou uma versão brasileira de ”We are the World”, hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for África.
Em 1993, Bituca gravou o CD “Angelus”, com a participação especial dos cantores Jon Anderson e James Taylor. Pelo reconhecimento de seu valor como cantor, compositor e comprometimento com a causa ambiental, recebeu várias premiações. Além da premiação das Nações Unidas com o prêmio “World Rain Forest”, em maio de 1996, pelo seu envolvimento em atividades em prol da ecologia e respeito pela natureza, Milton Nascimento recebeu o título de “Cidadão Honorário de Minas Gerais” e a “Ordem do Rio Branco”, um dos títulos mais importantes do país. Foi premiado também com o título “Chevalier des Arts et des Lettres”, incluindo um lanche privado no “Elysée Palace” com o presidente francês, François Mitterand.
Em 1998, ganhou o Grammy the Best Word Music Album in 1997, sendo novamente nomeado para o Grammy em 1991 e 1995.
O estilo musical de Milton Nascimento pode ser classificado como Música Popular Brasileira, consolidado na segunda metade da década de 60, surgido de um desdobramento do movimento da bossa-nova, com influências do Jazz, de expoentes do rock, como os Beatles, Bob Dylan, além de pitadas de ritmos caribenhos.
Com uma discografia considerável, até o ano de 2004, Milton Nascimento já havia gravado mais de trinta álbuns. No decorrer de sua carreira, cantou e fez parcerias com artistas de grande renome tanto no cenário musical nacional quanto internacional. Elegeu Elis Regina como sua grande musa inspiradora, para quem compôs inúmeras canções e recebeu várias premiações e homenagens pelos longos anos de estrada dedicados à MPB. Milton já se apresentou na América do Sul, América do Norte, Europa, África e Ásia.
Salve, grande mestre Milton Nascimento! Parabéns por mais um ano de vida dedicado à sua brilhante carreira de cantor e compositor. O meio artístico e musical agradece!