segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Roqueiro não é alienado!



A história da música brasileira registra, ao longo do tempo, composições marcadas por cunho político, engajadas com a situação do país.  Assim como nas canções imortalizadas por Renato Russo, da banda Legião Urbana, outros tantos cantores e compositores também gritaram e se posicionaram através de suas canções contra as injustiças, a corrupção, a exploração, a fome, a miséria e outras tantas mazelas que afligem nosso país e nosso povo!
Num momento político em que estamos novamente em meio a um turbilhão de escândalos públicos, em que a corrupção atinge as várias esferas da sociedade, o povo se faz presente nas ruas e no Congresso Nacional, clamando por um Brasil mais justo, livre de corrupções e de injustiças sociais. Nesse dado momento, é importantíssimo que figuras ligadas ao meio artístico e musical, que tanta influência exercem sobre a vida das pessoas comuns, também se posicionem.

A realização de grandes eventos de destaque no cenário musical é sempre um acontecimento em que opiniões divergentes afloram e dão margem a discussões. No Rock in Rio não foi diferente! A despeito da opinião individual sobre a qualidade dos shows e da apresentação deste ou daquele artista (e é saudável que opiniões diversas apareçam, e que cada um possa e tenha o direito de defender a sua), uma coisa é certa. É louvável a atitude e a consciência política demonstrada por alguns roqueiros que se apresentaram na quinta edição nacional do Rock in Rio 2013.

No segundo dia do festival, sábado, dia 14 de setembro, severas críticas foram direcionadas ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). No show da banda Capital Inicial, no Palco Mundo, o vocalista Dinho Ouro Preto, além de uma bela homenagem a Champignon, ex-baixista do Charlie Brown Jr., morto em 9 de setembro e ao Chorão que morreu no início deste ano, ao anunciar que iria cantar a música “Que País é Esse”? criticou as “oligarquias que pareciam ainda governar o Brasil” e dedicou a canção especialmente a Sarney.
José Sarney tem sido alvo de críticas no momento em que seu filho, Fernando Sarney, foi beneficiado por decisão judicial em processo que apura corrupção (Operação Boi Barrica ou Operação Faktor).
A música “Que País é Esse”? cantada por Dinho, foi composta por Renato Russo, na década de 70, período em que o Brasil vivia sob a ditadura militar. Na ocasião, Renato Russo tinha formado sua primeira banda de rock em Brasília, o Aborto Elétrico, precursora do Legião Urbana. A música se tornou um hit de protesto e indignação na época.

Ainda em seu show, Dinho Ouro Preto cantou a música “Vamos saquear Brasília”, comentou sobre o caso Donadon, criticou o Congresso e usou nariz de palhaço. 

Assim como Dinho Ouro Preto, no Rock in Rio 2013, outro roqueiro, Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, também posicionou-se politicamente. Em entrevista ao G1, o cantor afirmou que os fãs são influenciados pelo engajamento dos músicos, e se assusta com o fato de artistas populares, que tem grande penetração entre o público, se mantivessem omissos, num momento tão importante como que o Brasil está passando. Além da entrevista, o show de Tico, em que prestou tributo a Raul Seixas, foi marcado por um repertório carregado de protesto. 

No atual contexto político de mobilização popular, em que o povo sai às ruas em passeatas e se dirige ao Congresso Nacional para lutar por seus direitos, a voz de todos, principalmente daqueles que tem um canal maior de contato com o público, artistas e cantores, se faz muito importante e deve ser ouvida! Mesmo que este ou aquele discurso não seja carregado do cunho político desejado por uns, e seja criticado por outros, ele se faz importante! Aquele músico, artista, cantor ou pessoa comum que protesta, que se posiciona, que “dá a cara a tapa”, é muito melhor do que aquele que fica parado criticando o que o outro faz! Um mais um, é sempre melhor do que apenas um!