segunda-feira, 23 de março de 2009

Por que estudamos escalas e arpejos ?

Por que estudamos escalas e arpejos?
Todo bom músico conhece bem as escalas, pois elas são o único meio que temos para nos comunicar dentro da linguagem musical, além do ritmo é claro. A combinação desses dois recursos faz surgirem músicas, músicos e estilos musicais variados. Você os usa para criar e comunicar-se dentro do vasto campo da música. Não importa se você está tocando com uma banda, com um pianista, com um guitarrista ou acompanha a execução de um CD, nem se você ligou o rádio e começou a acompanhar a primeira música que tocou. Você só vai ter êxito se conhecer todas as escalas musicais. Como escalas ainda não fazem parte do seu dia a dia, vou compará-las com algo mais corriqueiro para que você possa entender a importância das escalas para nós músicos.
As escalas são como os idiomas. O músico que estuda seriamente, seja ele profissional ou amador, precisa ser um poliglota; falar e entender as várias línguas que por nós são chamadas de tonalidades. É normal um músico perguntar ao outro em que tonalidade irão tocar uma determinada música. Essa pergunta é feita justamente para que não comecem a tocar a mesma música em tonalidades diferentes. Vamos dar um exemplo: imagine que dois governadores irão em rede de televisão para todo o Brasil, sendo que um discursará em alemão e o outro em japonês. Os dois dizem ao mesmo tempo: "De agora em diante, quem não estudar as escalas musicais será considerado um analfabeto musical". É lógico que o público não entenderá nada. Se quiserem ser entendidos por todos eles devem falar em português, que é o nosso "tom", ou não transmitirão nada. Na música é a mesma coisa: a música é a forma de transmissão, a fala; as escalas musicais são o idioma. Para cada tom temos uma escala correspondente.
Como todo o país tem seus Estados, com costumes e sotaques diferentes, podemos relacioná-los da seguinte maneira: o tom é o idioma; os acordes são os sotaques observados em cada Estado.
Como toda língua é falada de maneira diferente de um Estado para outro, temos acordes diferentes para usar no decorrer de cada música. A utilização de diferentes acordes dentro de um mesmo tom na composição de uma música constitui o objeto do nosso estudo: como falar em cada acorde dentro de um mesmo tom. O mais importante é desenvolver a habilidade de comunicar com todos os acordes dentro de cada tom. Só após dominar essa linguagem é que você poderá comunicar-se com cada Estado, lançando mão dos seus sotaques e palavras típicas. Isso cria uma enorme diferença entre os músicos que improvisam e é justamente nesse domínio da linguagem.
É por isso que o músico precisa dominar primeiro o idioma clássico da cada país (o tom) para que possa se comunicar e ser entendido por todos. Quando um cantor está cantando, ele está dentro de um determinado tom. Se quiser tocar junto com ele, você deverá obrigatoriamente de tocar no mesmo tom, caso contrário vai atrapalhá-lo, emitindo notas fora do tom, o que poderá fazer o cantor "perder o tom". Existem 12 tons MAIORES e 12 tons MENORES.
Para que você comece a entender melhor essa história de tom, admita que o cantor esteja cantando em fá maior. Você terá também de tocar no mesmo tom, ou seja, só poderá usar notas de escala de fá maior. Desse modo você estará "dentro do tom"; é como se estivesse falando para todos os Estados usando o idioma que todos entendem. O que o músico mais experiente e treinado faz é usar outras escalas, de acordo com o acorde que estiver soando naquele momento dentro da música, enriquecendo ainda mais seu material e ampliando seu campo de criação e expressão seria então como o uso dos sotaques, palavras e expressões de cada estado (acorde) durante seu discurso.

O que são Tons Maiores e Tons Menores?

Basicamente, a diferença auditiva é: os tons maiores são mais alegres e os tons menores são mais tristes. Eles podem ser maiores ou menores; a diferença técnica entre os maiores e os menores reside em uma única nota: a alteração da terça na escala, como mostraremos mais a frente. Porém, o mais importante agora é conhecer as tonalidades maiores, pois elas constituem a matriz; delas originam-se todas as outras escalas (alterações) e o modo menor (tom menor). Enquanto você não dominar muito bem as escalas maiores, não adianta estudar outras escalas, pois você só irá criar confusão. Após dominar as escalas maiores, você conseguirá entender esse universo sonoro e seus mistérios. Não perca tempo estudando os sotaques, se você não consegue ainda comunicar-se no idioma básico! Para ajudá-lo a dominar as tonalidades, preparei no Método de Estudos para Improvisação uma série de exercícios de escalas e arpejos que simultaneamente servirá para incutir em você o sotaque da improvisação. A base da técnica de qualquer música o que queira obter êxito com sua música sempre foi, e continuarão sendo, as escalas e os arpejos. Não importa o estilo musical, seja Rock, Blues, Clássico, Barroco, Sertanejo, Jazz etc, lá estarão as escalas e arpejos. Por isso, os professores de instrumento insistem tanto com seus alunos para que conheçam escalar e arpejos, pois o domínio dessas ferramentas é condição para que você comunique-se bem DENTRO DO IDIOMA MUSICAL. Portanto, não perca tempo, pois à medida que você for estudando, começará a entender e aprenderá a amar as escalas e os arpejos, eles serão seu elo de ligação com o mundo musical. Você aprenderá a escutar o tom e a identificá-lo, pois seus ouvidos estarão treinados e você adquirirá uma maior consciência musical. Ainda que agora tocas as escalas e os arpejos não lhe diga nada, tenha paciência e acredite no seu professor, pois ele próprio é testemunho da importância das escalas e os arpejos na formação musical de todo bom músico.

Texto retirado do site www.cifraclub.com.br texto de Ivan Meyer.